Os animes antigos eram melhores?

 



Animes dos anos 80 e 90 vs. os de hoje: o que mudou (e o que ficou igual)

Quem cresceu assistindo anime nos anos 80 e 90 sempre solta a frase: “naquela época era diferente”. Será que era mesmo? Ou é só a nostalgia falando mais alto? Vamos comparar com calma.

O visual: cel x digital

Os animes clássicos eram desenhados e pintados à mão, quadro a quadro, em folhas de acetato (o famoso cel). Isso dava uma textura única, com cores levemente granuladas, fundos pintados como quadros e aquele “tremidinho” característico. Dá pra reconhecer um anime de 1988 em dois segundos só pelo visual.

Hoje quase tudo é feito digitalmente. O resultado é uma imagem limpa, nítida e cheia de efeitos, e muitas vezes também com cenas em 3D misturadas ao desenho 2D. A animação ficou mais fluida e as lutas, mais espetaculares. Em compensação, muita gente sente que o visual ficou “padronizado”, com menos cara de obra artesanal.




Narrativa: o tempo de cozinhar a história

Nos anos 90, era comum ter séries com 50, 100, 200 episódios. Isso permitia desenvolver personagens, ter episódios de “respiro” e arcos que se estendiam por meses. Claro que tinha o lado ruim também: os temidos episódios de enrolação e os fillers que faziam a gente suspirar.

Hoje o modelo dominante é o de temporadas curtas, de 12 ou 24 episódios. A história é mais enxuta, não tem gordura, mas também nem sempre há tempo para o desenvolvimento profundo que as séries longas ofereciam. Por outro lado, ficou mais fácil começar e terminar uma série sem precisar de meses de dedicação.

Temas e variedade

Os anos 80 e 90 nos deram robôs gigantes, super-heróis, magical girls, aventuras épicas e dramas sobre a condição humana. Foi uma época de muita ousadia e experimentação, em que obras como Akira, Neon Genesis Evangelion, Cowboy Bebop e Ghost in the Shell mostraram que animação também podia ser cinema adulto e filosófico.

Hoje a variedade é gigantesca. Tem isekai aos montes, comédia romântica escolar, esportes, terror, histórias do cotidiano e produções que fogem do padrão. O lado negativo é que, com tanta produção por temporada, algumas fórmulas se repetem bastante. O lado positivo é que existe anime para absolutamente qualquer gosto.

Clássico x remake: o caso de Hunter x Hunter

Se tem uma comparação que rende discussão entre os fãs, é essa: Hunter x Hunter de 1999 contra o de 2011. Os dois adaptam o mesmo mangá do Yoshihiro Togashi, mas são experiências bem diferentes.

A versão de 1999 tem uma atmosfera própria. O visual feito no estilo da época, a trilha sonora e o clima mais contemplativo dão a ela um charme que é difícil explicar. Ela tem um jeito de contar a história com calma, deixando as cenas respirarem, e é nela que eu prefiro ficar. Pra mim, é o Hunter x Hunter de verdade, aquele que me conquistou.

Mas preciso ser justo: a versão de 2011 tem pontos em que é melhor, e não dá pra negar. Ela é bem mais fiel ao mangá, tem uma animação mais fluida e, principalmente, vai muito mais longe na história. O arco das Formigas-Quimera, por exemplo, é considerado por muita gente um dos melhores momentos de todo o shounen, e só existe na adaptação nova. Isso pesa muito.

Resumindo: a de 1999 é a minha favorita pelo coração, a de 2011 é a que melhor entrega a história completa. Se você ainda não viu nenhuma das duas, o melhor é começar pela que estiver mais ao seu gosto e, depois, assistir a outra para comparar. Vale a pena!



Como a gente assistia

Aqui talvez esteja a maior diferença de todas. No Brasil, nos anos 90, anime era sinônimo de TV aberta: Cavaleiros do Zodíaco, Dragon Ball Z e Yu Yu Hakusho na hora do almoço ou depois da escola. Perdeu o episódio? Só na reprise, ou quando alguém gravava em VHS. Era um evento, e todo mundo conversava sobre o assunto no dia seguinte.

Hoje o catálogo está a um clique, com legendas quase em tempo real depois do lançamento no Japão. A comodidade é incrível, mas algo se perdeu: aquela experiência coletiva, de esperar a semana inteira e assistir junto com os amigos. E ainda tem o problema de séries que somem dos streamings por causa de licenciamento.


Música e identidade

Quem não lembra das aberturas dos animes clássicos? Algumas viraram verdadeiros hinos, e dá pra cantar até hoje de cabeça. As dublagens brasileiras também marcaram época, com vozes que fazem parte da memória afetiva de toda uma geração.

Hoje as aberturas continuam excelentes, com bandas famosas e produções caprichadas, e muitas viralizam nas redes sociais. Já a dublagem ganhou concorrência com as legendas, que se tornaram a escolha de boa parte do público.

Então, qual é melhor?

Sinceramente? Nenhum. São épocas diferentes, com tecnologias, públicos e formas de consumo diferentes. Os clássicos têm um charme e uma ousadia difíceis de repetir. Os atuais têm qualidade técnica e variedade que antigamente eram impensáveis. O próprio caso de Hunter x Hunter mostra isso: dá pra preferir o antigo e ainda assim reconhecer o que o novo faz de melhor.

O mais legal é que uma coisa não exclui a outra. Dá pra assistir Cowboy Bebop num dia e Frieren no outro, e perceber que a essência do bom anime continua a mesma: personagens que a gente aprende a amar e histórias que ficam na cabeça muito depois do último episódio.

E você, é do time dos clássicos ou do time dos novos? E no caso de Hunter x Hunter, qual versão é a sua favorita? Conta nos comentários!



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